“Those Christmas lights, light up the street, down where the sea and city meet, may all your troubles soon be gone…Oh, Christmas lights, keep shining on! “(…) 

Could be Jingle Bell, mas não, o trechinho acima é um excerto da música do Coldplay que se chamaChristmas Lights”, e que eumesmo ouvindo Coldplay desde sempresó conheci no finzinho do ano passado, o meu primeiro em Portugal. Para quem não conhece, ele diz algo como: “essas luzes de Natal, iluminam a rua onde o oceano e a cidade se encontram. Que todos os seus problemas acabem logo…Oh, luzes de Natal, continuem brilhando!”.

Quando ela tocou de modo aleatório no meu Spotify, eu estava no ônibus, chegando à faculdade e ao ouvir esse trechinho, senti o coração apertar de um jeito que só entende quem está longe de tudo e todos que ama. Para quem imigra, a saudade é companhia constante, mas não podemos negar: a proximidade com o período natalino traz uma dose extra de nostalgia, recordações, lembranças boas e muita, muita saudade.

E parece que para isso, não existe muita regra, não importa muito o local, o tempo que estamos distantes nem por quais razões, nós simplesmente começamos a sentir tudo de forma mais intensa. Surgem as dúvidas, os questionamentos, o medo pelo tempo e pelos momentos perdidos ao lado de quem amamos, a incerteza sobre valer ou não a pena ter embarcado nessa jornada. E vem a solidão, e não uma solidão qualquer, mas o pior tipo de solidão que podemos sentir: aquela em que nos sentimos sozinhos mesmo rodeados por muita gente. Por tudo isso, é que eu sempre digo, imigrar é para os muito fortes.

Porque afinal, quem vai dizer que não é preciso ser forte para ver a família e os amigos participando dos amigo-ocultos e confraternizações em que antes você também estava? Como lidar com as fotos recebidas dos sobrinhos, irmãos, afilhados e às vezes até os filhos, vestindo lindos gorrinhos de Natal e o desejo intenso de poder apertar aquela criança querida entre os braços? Como apaziguar a vontade de ir para o aeroporto correndo e pegar um avião cujo destino seja a mesa farta, os sorrisos e o abraço quentinho de quem você ama? O que fazer com as lágrimas contidas e o nó na garganta ao atender aquela chamada de voz ou de vídeo para desejar os votos natalinos? Para onde ir quando o único lugar confortável parece ser aquele colo quentinho de vovó/vovô? Eu gostaria de ter resposta para essas perguntas, mas não tenho e infelizmente, não conheço quem já tenha.

Apesar disso, rumo ao meu segundo Natal como imigrante, e certa de que existem pessoas que já passaram por isso muitas vezes mais, eu aprendi que a gente consegue. Que essa força que existe em nós são como as luzes de Natal, que durante todo o ano não estão à vista, mas que no dia certo acendem, trazem enorme encanto aos nossos olhos e nos dão a esperança necessária para continuar. Assim é também com os nossos corações, e eu espero que você, que está lendo esse texto nesse momento, já tenha acendido as suas luzes.

Espero que você já tenha se permitido ir ao Chiado admirar o movimento de pessoas e a alegria das crianças, ou mesmo àquela praça do seu bairro, ou à casa daquele seu grande amigo, ou a qualquer outro lugar em que você goste de estar. E que ao admirar as luzes de Natal, você se lembre também de tudo o que brilha em você, de todas as histórias que te trouxeram até aqui e de todos os sonhos que ainda quer conquistar. Eu desejo que, assim como as luzes de Natal da música do Coldplay, você continue brilhando e brilhando por aí!

Finalmente, desejo que neste Natal, esteja onde estiver, você possa sentir em casa ao se lembrar que o seu lar está dentro de você e que nada no mundo deve ser maior do que a sua vontade de vencer! Desejo a todos nós, um Natal incrível e cheio de amor, como todos nós merecemos.

P.s.1: Vocês também tem músicas de Natal que não astradicionaispara indicar (tipo essa que citei no começo do post)? Deixem aqui nos comentários para eu ouvir e adicionar na minha playlist natalina. =D

P.s.2: prometo que os outros temas tem crônicas menos “sentimentais”. Mas é Natal, minha gente, perdoem essa jovem imigrante emotiva, hahaha

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